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Comunicação interna e aprendizagem

Endomarketing para treinamento: como lançar um programa que as pessoas querem fazer

Miriam Damasceno, Diretora Executiva

Em poucas palavras

Endomarketing para treinamento é lançar o programa como se lança um produto para quem vai usá-lo: dizer que problema ele resolve, mostrar quem já passou pela situação, deixar claro o que a pessoa ganha e tirar as dúvidas antes da primeira turma. A pesquisa liga a motivação de chegada ao quanto se aprende e se aplica.

“Prezados, informamos que todos os colaboradores do setor deverão participar do treinamento obrigatório, conforme cronograma anexo.” Quem recebe esse e-mail já decidiu, antes de abrir o anexo, que vai cumprir a presença e mais nada.

O programa pode ser excelente. O jeito como ele chegou já tirou metade da força dele.

Por que o lançamento de um treinamento importa tanto?

Porque a pessoa chega ao curso com uma disposição que já foi formada antes dele, e essa disposição pesa no resultado. Jason Colquitt, Jeffery LePine e Raymond Noe reuniram 20 anos de pesquisa sobre motivação para o treinamento em 2000. A motivação para aprender apareceu ligada tanto ao aprendizado durante o curso quanto à aplicação depois dele.

Scott Tannenbaum e colegas mostraram outro lado do mesmo fenômeno em 1991: quando o treinamento atendeu às expectativas com que a pessoa chegou, cresceram o comprometimento, a confiança na própria capacidade e a motivação. Expectativa é algo que se constrói, e quem constrói é a comunicação que vem antes.

O que é endomarketing aplicado ao treinamento?

É usar a lógica de campanha, com conceito, peças e calendário, para mobilizar as pessoas em torno do programa. A diferença para uma convocação comum está no ponto de partida:

ConvocaçãoEndomarketing
Parte do cronogramaParte do problema que o programa resolve
Fala da obrigaçãoFala do que a pessoa ganha
Uma mensagem, um canalVárias mensagens, nos canais que chegam
Termina na inscriçãoContinua durante e depois do curso

Não é enfeitar o programa. É explicar bem o que ele é para quem vai fazer.

Quais mensagens um lançamento precisa ter?

John Keller organizou em 1987 o que prende a motivação de quem aprende em quatro condições, o modelo ARCS: atenção, relevância, confiança e satisfação. Elas servem de roteiro para as mensagens do lançamento:

  1. Atenção. Uma situação real que o público vive e reconhece. “Você já perdeu uma venda porque o sistema travou no meio do atendimento?” chama mais atenção que “Treinamento do novo sistema”.
  2. Relevância. O que muda no dia a dia de quem faz. Dito na língua da função, não na língua do RH.
  3. Confiança. Como vai ser: quanto tempo, em que formato, se tem prova, o que acontece se a pessoa não for bem. Medo de parecer despreparado afasta mais gente do que se imagina.
  4. Satisfação. O que a pessoa leva: uma ferramenta, um certificado que conta para algo, o reconhecimento do gestor.

Quais peças e canais usar?

Os que o público de fato vê. Uma sequência simples, para um programa com três a quatro semanas de antecedência:

MomentoPeçaCanal
4 semanas antesTeaser com a situação-problemaMural, tela, grupo da equipe
3 semanas antesDepoimento de quem já passou pela situaçãoVídeo curto, reunião de turno
2 semanas antesComo vai ser, perguntas e respostasInformativo, intranet, gestor
1 semana antesConvite pessoal do gestorConversa direta
Depois do cursoQuem já está aplicandoMural, reunião, informativo

O convite do gestor é a peça mais forte e a mais barata. Para isso ele precisa receber o texto pronto e entender por que importa, como detalhamos em qual é o papel do gestor depois do treinamento.

Em operação sem e-mail, os canais mudam. O que ainda funciona no chão de loja e de fábrica está em jornal mural, informativo e tela.

Treinamento obrigatório também merece lançamento?

Merece mais que os outros. Treinamento obrigatório já chega com a marca de burocracia, e a pessoa sabe que vai ter que ir de qualquer jeito. Dizer por que a norma existe, contar o caso que levou a ela e mostrar o que muda no trabalho é o que separa um treinamento cumprido de um treinamento aproveitado.

O que não fazer no endomarketing de treinamento?

  • Prometer o que o curso não entrega. A expectativa frustrada derruba a motivação, que é o contrário do que se queria.
  • Fazer campanha sem conteúdo. Brinde, mascote e slogan sem o comportamento concreto por trás viram ruído.
  • Parar no lançamento. A campanha que termina no primeiro dia de curso desperdiça a melhor parte, que é lembrar e mostrar quem aplicou. Como transformar o conteúdo em lembrete está em campanha interna.

A visão completa de como comunicação e educação corporativa se apoiam está no guia comunicação interna e educação corporativa. E o trabalho de levar o programa para dentro do ambiente é o que entregamos na comunicação no ambiente.

Como a Criação resolve isso · Sustentação e reforço

Vai lançar um programa de treinamento este semestre?

A gente cria o conceito, as peças e o calendário de lançamento junto com o conteúdo, para a turma chegar sabendo por que está ali.

Comunicação no ambiente: Peças físicas e digitais no lugar onde o comportamento acontece.

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