O curso ficou pronto, foi aprovado, e na hora de subir no LMS aparece a pergunta do fornecedor: “Vocês querem em SCORM 1.2 ou 2004?”. Quem está do lado do RH raramente sabe responder, e a escolha errada pode fazer o curso rodar mas não registrar a conclusão de ninguém.
O que é SCORM?
SCORM é a sigla em inglês para modelo de referência de objeto de conteúdo compartilhável. Na prática, é um conjunto de regras técnicas que define como um curso online deve ser empacotado e como ele conversa com o LMS. Foi criado pela ADL, iniciativa ligada ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos, para que o conteúdo produzido por um fornecedor funcionasse na plataforma de outro.
É por causa do SCORM que um curso feito numa ferramenta de autoria roda em plataformas diferentes sem ser refeito.
O que o SCORM faz?
Duas coisas principais:
- Empacota o curso. Um arquivo compactado com o conteúdo e um manifesto que diz ao LMS o que tem dentro e como abrir.
- Registra o que acontece. Enquanto a pessoa faz o curso, ele envia ao LMS dados como: começou, terminou, passou ou não, nota, tempo gasto, onde parou.
Esse registro é o que permite ao RH saber quem concluiu o obrigatório, emitir certificado e retomar o curso do ponto onde a pessoa saiu.
Qual a diferença entre SCORM 1.2 e SCORM 2004?
| SCORM 1.2 | SCORM 2004 | |
|---|---|---|
| Lançamento | 2001 | 2004, com edições até a quarta, de 2009 |
| Compatibilidade | A mais ampla entre os LMS | Ampla, com algumas variações |
| Conclusão e aprovação | Um campo só para os dois | Campos separados: concluiu e passou |
| Sequenciamento | Não tem | Permite regras de navegação entre partes |
| Limite de dados guardados | Mais curto | Maior |
Na dúvida, SCORM 1.2 é a escolha mais segura para funcionar em qualquer plataforma. SCORM 2004 vale quando o curso precisa separar “concluiu” de “passou” ou usar regras de navegação.
Quais são os limites do SCORM?
Ele só enxerga o que acontece dentro do LMS, com a pessoa conectada, num navegador. Não registra:
- Uma simulação feita num aplicativo à parte.
- Um vídeo assistido fora da plataforma.
- A prática no trabalho observada pelo gestor.
- Aprendizagem sem conexão, no campo.
E os dados que ele registra são sobre o curso, e não sobre o comportamento. Saber quem terminou não é saber quem aplica, como discutimos em como medir se o treinamento mudou o trabalho.
O que é xAPI?
É um padrão mais recente, também da ADL, conhecido antes como Tin Can, e desde 2023 também norma IEEE (9274.1.1). Ele registra experiências de aprendizagem em frases simples do tipo “fulano concluiu tal simulação” ou “fulana praticou tal procedimento”, vindas de qualquer lugar: aplicativo, simulador, vídeo, até um checklist preenchido pelo gestor. Esses registros vão para um repositório próprio, chamado LRS.
O xAPI é mais flexível, mas exige mais desenho: alguém precisa decidir o que registrar e como ler depois.
E o cmi5?
É um perfil do xAPI, criado pelo AICC e hoje mantido pela ADL, que define regras para usar o xAPI dentro de um LMS, com o lançamento do curso, a conclusão e a aprovação padronizados. Na prática, junta a flexibilidade do xAPI com a previsibilidade que o SCORM dava. Ainda não é aceito por todos os LMS, então vale conferir antes.
Qual escolher?
| Situação | Padrão indicado |
|---|---|
| Curso online comum, precisa rodar em qualquer LMS | SCORM 1.2 |
| Precisa separar concluiu de passou | SCORM 2004 |
| Registrar aprendizagem fora do LMS | xAPI |
| Registrar dentro do LMS com mais flexibilidade, se a plataforma aceitar | cmi5 |
Antes de encomendar o conteúdo, confira o que o seu LMS aceita, e peça um teste com um pacote pequeno. Esse e outros critérios de escolha de plataforma estão no guia como escolher um LMS.
Produzir e-learning em SCORM, testado no ambiente do cliente antes da entrega, é parte do que fazemos em e-learning, SCORM e vídeo.