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Bancada de marcenaria com uma pequena caixa de madeira em cinco estágios, das tábuas soltas ao porta-lápis pronto, alinhados da esquerda para a direita.

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Treinamento e desenvolvimento

Trilha de aprendizagem: como montar uma que as pessoas terminam

Miriam Damasceno, Diretora Executiva

Em poucas palavras

Uma trilha de aprendizagem que as pessoas terminam começa pelo que a pessoa precisa saber fazer ao fim, não pelos cursos disponíveis. Tem etapas curtas, em ordem do mais simples ao mais aplicado, com prática e pergunta em cada uma, intervalos entre elas e um marco visível de avanço. Trilha longa e sem prática vira lista abandonada.

A trilha foi montada com cuidado: vinte cursos do catálogo, organizados por tema, com carga horária total de quarenta horas. Três meses depois do lançamento, o relatório mostra muita gente no primeiro curso, menos no segundo, e quase ninguém depois do quinto.

O problema raramente é falta de interesse. É que a trilha foi montada a partir do que existia, e não a partir de onde a pessoa precisava chegar.

O que é uma trilha de aprendizagem?

É uma sequência de etapas de aprendizado que leva uma pessoa de um ponto a outro: de recém-chegada a autônoma na função, de analista a coordenadora, de quem não conhece o sistema a quem opera sem ajuda. A palavra importante é sequência. Uma pasta de cursos sobre um tema é um catálogo; uma trilha tem começo, ordem e chegada.

Por que tanta trilha fica pela metade?

Por três motivos que se repetem:

  • É longa demais para o que promete. Katy Jordan analisou em 2015 as taxas de conclusão de cursos online abertos e encontrou uma relação clara: quanto mais longo o curso, menor a proporção de quem chegava ao fim.
  • Não tem prática. Etapa após etapa de vídeo e leitura, sem nada para fazer, cansa e ensina pouco.
  • Não tem porquê visível. A pessoa não sabe o que vai conseguir fazer ao terminar, nem vê o próprio avanço.

Como montar uma trilha que as pessoas terminam?

Em quatro decisões, nesta ordem.

1. Qual é o ponto de chegada?

Escreva o que a pessoa vai saber fazer ao fim, em ações observáveis. “Conhecer o processo de vendas” não é ponto de chegada. “Conduzir sozinha uma visita de diagnóstico ao cliente, do agendamento ao relatório” é. Tudo o que não ajuda a chegar lá sai da trilha, por melhor que seja.

2. Qual é a sequência?

Do mais simples ao mais aplicado. Um desenho que funciona para a maior parte das trilhas:

EtapaO que aconteceExemplo
BaseO essencial para começarO que é, para que serve, vocabulário
DemonstraçãoVer como se fazVídeo de alguém fazendo, caso comentado
Prática guiadaFazer com apoioExercício com modelo, simulação
Prática realFazer no trabalhoTarefa real, com retorno do gestor
ConsolidaçãoRetomar e fecharRevisão, caso mais difícil, certificação

3. Qual é o tamanho de cada etapa?

Pequeno. Richard Mayer e Paul Chandler mostraram em 2001 que dividir uma explicação em partes que a pessoa avança no próprio ritmo melhora a compreensão em relação à mesma explicação corrida. Na trilha, isso quer dizer etapas que cabem numa pausa do trabalho, cada uma com um objetivo só. Quando usar conteúdo muito curto, e quando ele atrapalha, está em microlearning funciona?.

4. Quais são os intervalos?

Espaçados, e não tudo de uma vez. A prática distribuída no tempo retém mais do que a prática concentrada, como mostrou a síntese de Nicholas Cepeda e colegas com 317 experimentos. John Dunlosky e colegas avaliaram em 2013 dez técnicas de estudo e classificaram só duas como de alta utilidade: a prática distribuída e a prática de lembrar, que é responder perguntas sobre o conteúdo. Uma trilha que libera as etapas em intervalos e faz perguntas em cada uma usa as duas.

O que colocar em cada etapa?

Três elementos mínimos:

  1. Um objetivo dito para a pessoa. “Ao fim desta etapa, você consegue…”
  2. Algo para fazer. Exercício, caso, pergunta, tarefa no trabalho.
  3. Um retorno. A resposta comentada, o gabarito, a conversa com o gestor.

E um marco visível de avanço: a pessoa precisa ver onde está e quanto falta.

Posso aproveitar os cursos que a empresa já tem?

Pode, e deve, com critério. Para cada curso existente, pergunte: ele leva a pessoa mais perto do ponto de chegada? Se sim, entra na etapa certa, às vezes recortado. Se não, fica fora, mesmo que seja bom. O que falta é produzido. Costuma ser menos do que se imagina, e quase sempre é a prática.

Como saber se a trilha funcionou?

Não pela taxa de conclusão sozinha. Terminar a trilha mostra que a pessoa passou pelas etapas; o que importa é se ela faz, no trabalho, o que o ponto de chegada prometia. Como medir isso está em como medir se o treinamento mudou o trabalho.

O programa completo em que a trilha se encaixa está no guia de educação corporativa. E desenhar a trilha, produzir o que falta e publicá-la no ambiente onde as pessoas estudam é o que fazemos em trilhas de aprendizagem.

Como a Criação resolve isso · Desenvolvimento

Sua trilha tem ponto de chegada ou só uma lista de cursos?

A gente desenha a trilha a partir do que a pessoa precisa saber fazer, produz o que falta e aproveita o que a empresa já tem.

Trilhas de aprendizagem: Sequência de conteúdo que respeita o ritmo de quem está aprendendo.

Resposta em até um dia útil.