“A gente tem onboarding, sim: é a integração de sexta-feira, com a apresentação do RH e o tour pela empresa.” A frase é comum, e mostra uma confusão que não é só de palavra. Se o nome do processo inteiro vira o nome de um evento, o resto do processo some.
Quais são os termos e o que cada um cobre?
| Termo | O que costuma nomear | Duração típica | Quem conduz |
|---|---|---|---|
| Integração | O evento de boas-vindas institucional | Horas a dois dias | RH |
| Ambientação | Conhecer o local, as pessoas, as regras | Primeira semana | Gestor e colegas |
| Treinamento inicial | Aprender a função e o que é obrigatório | Semanas | Gestor, colegas, T&D |
| Onboarding | O processo inteiro, até a autonomia | Cerca de 90 dias | Todos, com o gestor à frente |
| Socialização | O termo da pesquisa para o mesmo processo | Meses | Organização, gestor, colegas |
Não há definição oficial, e cada empresa usa as palavras do seu jeito. O que importa é que o nome escolhido para o processo inteiro cubra o processo inteiro.
O que é integração?
Em muitas empresas, é o evento em que a pessoa conhece a história, os valores, os benefícios e as políticas. É importante, e é a parte mais fácil de organizar, porque é igual para todo mundo e o RH controla a agenda. Por isso tende a virar o todo.
O que é ambientação?
É o conhecer o lugar: onde fica cada coisa, quem é quem, como as coisas realmente funcionam, o que não está escrito. Acontece no dia a dia do setor, conduzida pelo gestor e pelos colegas, e é onde começa a sensação de pertencer ao grupo.
O que é onboarding?
É o nome do processo completo, que começa no aceite da proposta e termina quando a pessoa trabalha com autonomia. Inclui a integração, a ambientação e o treinamento inicial, mais as conversas de acompanhamento e a definição de metas.
A pesquisa chama esse processo de socialização organizacional. Talya Bauer e colegas mostraram em 2007 que o que define se ele deu certo é a pessoa chegar a três estados: clareza sobre o que se espera dela, confiança de que consegue fazer, e aceitação pelo grupo. Nenhum dos três se resolve num evento de um dia.
Por que a diferença importa na prática?
Porque o que não tem nome não tem dono. Quando “onboarding” significa só o evento:
- O gestor não se vê como responsável. O RH fez o onboarding, então está feito.
- Ninguém acompanha as semanas seguintes, que é quando a pessoa decide se fica.
- O indicador olha para o lugar errado. A nota de satisfação do evento sai alta, e a saída nos primeiros meses continua a mesma.
Howard Klein e colegas descreveram em 2015 as práticas de onboarding em três grupos: informar, acolher e orientar. O evento de integração cobre bem o informar. Acolher e orientar acontecem depois, no setor.
Como organizar os termos na sua empresa?
Uma sugestão simples: use onboarding para o processo inteiro, com começo, fases e fim definidos, e integração para o evento institucional que faz parte dele. Escreva isso no desenho do processo, e o gestor passa a saber que o trabalho dele começa depois da integração.
O desenho das fases está no guia de onboarding, e a lista de cada etapa no checklist de integração. E desenhar o processo inteiro é o que fazemos em onboarding.