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Treinamento e desenvolvimento

Como medir se o treinamento mudou o trabalho, e não só se agradou

Miriam Damasceno, Diretora Executiva

Em poucas palavras

Para saber se o treinamento mudou o trabalho, meça a aplicação, e não só a satisfação. Defina antes do curso o comportamento esperado e um indicador que a empresa já acompanha, observe o comportamento semanas depois com o gestor, e investigue quem aplicou e quem não aplicou. A pesquisa mostra que gostar do curso diz pouco sobre aplicar.

A avaliação de reação saiu com nota 9,2. O instrutor foi elogiado, o coffee break também. Três meses depois, a diretoria pergunta o que mudou na operação, e a única resposta disponível é a nota 9,2.

Medir se o treinamento agradou é fácil e necessário. Mas não responde à pergunta que a empresa faz.

Gostar do curso significa aplicar o curso?

Não, e a pesquisa é clara nisso. George Alliger e colegas reuniram em 1997 os estudos que mediam, ao mesmo tempo, a reação ao curso, o aprendizado e o comportamento depois. A reação de gostar teve relação fraca com o aprendizado e com a aplicação. A reação de utilidade, ou seja, achar que o conteúdo serve para o trabalho, se saiu um pouco melhor.

Traci Sitzmann e colegas chegaram a um resultado parecido em 2008, com uma base maior: a reação ao curso se liga mais ao que a pessoa sente sobre o treinamento do que ao que ela aprendeu.

Conclusão prática: a avaliação de reação serve para melhorar o curso, e não para dizer se ele funcionou.

O que dá para medir, do mais fácil ao mais útil?

NívelPerguntaComo medirO que prova
ReaçãoA pessoa gostou e achou útil?Questionário no fimQue o curso foi bem recebido
AprendizadoA pessoa sabe fazer?Prova, simulação, exercícioQue o conteúdo foi entendido
AplicaçãoA pessoa faz no trabalho?Observação, checklist, sistemaQue o comportamento mudou
ResultadoO indicador mexeu?Dado que a empresa já temQue a mudança importou

É a lógica dos quatro níveis de Donald Kirkpatrick, usada há décadas em T&D. O problema não é a escala. É que muita avaliação para no primeiro degrau.

Como medir a aplicação no trabalho?

Em cinco passos, e o primeiro acontece antes do curso.

  1. Escreva o comportamento esperado antes do curso. Em ação observável: “o vendedor apresenta o seguro na finalização de toda venda acima de determinado valor”, e não “o vendedor valoriza o seguro”.
  2. Escolha um indicador que já existe. Perdas, retrabalho, tempo de atendimento, reclamação, taxa de conversão. Indicador inventado para o treinamento não convence ninguém.
  3. Tire a foto do antes. Sem o número de partida, não há como mostrar variação.
  4. Observe semanas depois, com o gestor. Um checklist curto de observação, aplicado por quem convive com a pessoa, entre 30 e 90 dias depois do curso. Alan Saks e Monica Belcourt ouviram profissionais de T&D em 2006, e a aplicação estimada caía com o tempo, de cerca de 62% logo depois do curso para cerca de 34% um ano depois. Medir só na saída da sala infla o resultado.
  5. Compare com um grupo que ainda não fez, quando possível. Turmas escalonadas criam essa comparação sem custo extra.

Participantes que aplicam o que aprenderam

Participantes que aplicam o que aprenderam: Logo depois, 62%; 6 meses, 44%; 1 ano, 34%Logo depois62%6 meses44%1 ano34%
Estimativa de profissionais de treinamento de 150 organizações.Dados de Saks e Belcourt (2006), Human Resource Management. Gráfico da Criação Ilimitada. Fonte

E quando os números não bastam?

Aí entra a investigação de casos. Robert Brinkerhoff propôs em 2005 o método do caso de sucesso: em vez de tirar a média de todo mundo, você procura as pessoas que mais aplicaram e as que menos aplicaram, e conversa com elas.

Os casos de sucesso mostram o que o treinamento pode fazer quando dá certo, com exemplos concretos que convencem a diretoria. Os casos de não aplicação mostram o que atrapalhou: falta de tempo, gestor que não apoiou, ferramenta que não existe, processo que contradiz o curso. Essas barreiras quase nunca aparecem na nota de satisfação.

Como ligar o treinamento a um resultado da empresa?

Fazendo a ligação antes, e não depois. Se o diagnóstico já disse “este programa existe para reduzir as perdas na loja”, a medição só precisa acompanhar as perdas e o comportamento que as produz. Tentar calcular retorno de um treinamento que nasceu sem indicador vira estimativa difícil de defender.

É o mesmo raciocínio do levantamento de necessidades: a medição começa no diagnóstico.

Quais erros enganam a avaliação?

  • Medir horas de treinamento como resultado. Horas medem esforço.
  • Confundir conclusão com aplicação. Terminar a trilha não é fazer diferente.
  • Medir cedo demais. Na saída da sala, todo mundo pretende aplicar.
  • Atribuir tudo ao curso. Se o indicador mexeu, pergunte o que mais mudou no período.

O guia de educação corporativa mostra onde a medição entra no programa inteiro. E acompanhar a aplicação no trabalho, com checklist, gestor e indicador, é o que fazemos em medição de aplicação.

Como a Criação resolve isso · Sustentação e reforço

Seu relatório de treinamento para na nota de satisfação?

A gente mede o que aparece no trabalho semanas depois, com o gestor, e liga ao indicador que a empresa já acompanha.

Medição de aplicação: Indicadores de uso no trabalho, não de conclusão de curso.

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