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Diagnóstico e competências

Mapeamento de competências: como fazer um que sirva para alguma coisa

Miriam Damasceno, Diretora Executiva

Em poucas palavras

Um mapeamento de competências útil descreve, para cada função, os poucos comportamentos que separam quem entrega bem de quem não entrega, em linguagem observável e ligados ao que a empresa precisa. Serve para decidir o que treinar, como avaliar e quem contratar. Lista genérica com comunicação, liderança e proatividade para todos os cargos não serve para nada disso.

A empresa fez seu mapeamento de competências há dois anos. Resultado: oito competências para todos os cargos, cada uma com uma definição de uma linha. Comunicação, trabalho em equipe, foco no cliente, proatividade, liderança, inovação, ética, resultado. A lista está no site, na avaliação de desempenho e na parede da recepção. Ninguém consegue dizer como ela mudou uma decisão de treinamento.

O que é mapeamento de competências?

É descrever o que uma pessoa precisa saber, saber fazer e demonstrar no comportamento para entregar bem numa função. O mapa serve como régua comum para várias decisões de gente: o que treinar, como avaliar, quem contratar, quem está pronto para crescer.

Jeffery Shippmann e um grupo de especialistas compararam em 2000 o mapeamento de competências com a análise de cargos tradicional. Uma das diferenças que apontaram é que a competência tenta ligar o trabalho à estratégia da empresa, e não só descrever tarefas. Essa ligação é o que dá valor ao mapa, e é o que se perde quando ele vira lista de virtudes.

Por que tanto mapeamento vira lista genérica?

Por três atalhos comuns:

  • Uma lista para todos. Competências iguais para o operador e para a diretora não ajudam nenhum dos dois.
  • Definição abstrata. “Comunica-se com clareza” pode significar qualquer coisa. Dois gestores avaliam a mesma pessoa de jeitos opostos.
  • Feito em sala, sem olhar o trabalho. Sai o que a empresa gostaria de ser, e não o que a função exige.

Como fazer um mapeamento que sirva?

Michael Campion e colegas reuniram em 2011 as boas práticas de mapeamento de competências. Várias delas cabem num roteiro prático:

  1. Comece pelo uso. Para que o mapa vai servir primeiro: treinamento, avaliação, seleção? O uso define o nível de detalhe.
  2. Ligue à estratégia. O que a empresa precisa fazer melhor nos próximos anos, e que funções carregam isso?
  3. Olhe o trabalho real. Entreviste e observe quem entrega muito bem e quem tem dificuldade na função. A diferença entre os dois é onde estão as competências que importam.
  4. Escreva em comportamento observável. Não “tem foco no cliente”, mas “antes de encerrar o atendimento, confirma com o cliente se a solicitação foi resolvida”.
  5. Defina níveis. O que é básico, o que é pleno, o que é referência, com exemplo de comportamento em cada um.
  6. Poucas competências por função. Cinco a oito bem descritas valem mais que vinte vagas.
  7. Valide com quem faz e com quem avalia. Se o gestor não reconhece a descrição, ela não vai ser usada.

Como fica uma competência bem escrita?

NívelComportamento esperado em “Resolução de problemas do cliente”
BásicoRegistra a solicitação corretamente e encaminha à área certa no prazo
PlenoResolve no primeiro contato as solicitações mais frequentes, sem transferir
ReferênciaIdentifica a causa de reclamações repetidas e propõe mudança de processo

Compare com “Foco no cliente: coloca o cliente no centro das decisões”. A primeira forma permite avaliar, treinar e dar retorno. A segunda não.

Como usar o mapa para o treinamento?

Três usos diretos:

  • Achar lacunas. Avaliando as pessoas na régua, aparece onde está a distância, e em quem.
  • Desenhar trilhas. Cada nível vira um ponto de chegada, e a trilha de aprendizagem leva de um nível ao outro.
  • Medir aplicação. O comportamento descrito é o mesmo que se observa depois do curso.

Mas o mapa não substitui o levantamento de necessidades. Ele mostra o que a função exige; o levantamento mostra o que está travando um resultado agora, e se isso é mesmo caso de treinamento.

Com que frequência revisar?

Quando a função muda: novo sistema, novo processo, nova estratégia. Uma revisão leve a cada ano ou dois evita que o mapa descreva um trabalho que já não existe.

Mapear as competências por função, com comportamentos e níveis prontos para orientar treinamento e avaliação, é o que fazemos em mapeamento de competências.

Como a Criação resolve isso · Diagnóstico

Suas competências descrevem o trabalho ou uma lista de virtudes?

A gente mapeia as competências por função, com comportamentos observáveis e níveis claros, prontas para orientar treinamento e avaliação.

Mapeamento de competências: O que o cargo exige e o que a pessoa tem hoje, lado a lado.

Resposta em até um dia útil.