“Ninguém tem mais tempo para curso de uma hora. Vamos transformar tudo em vídeos de três minutos.” A decisão parece moderna e economiza agenda. Seis meses depois, a biblioteca tem cento e vinte vídeos curtos, e as pessoas continuam errando nas mesmas coisas.
O conteúdo curto não é bom nem ruim. Ele serve para algumas coisas e atrapalha em outras.
O que é microlearning?
É aprendizado em unidades curtas, geralmente de poucos minutos, cada uma com um objetivo só: um vídeo, um cartão, uma pergunta, uma simulação rápida. Pode ser consumido no celular, numa pausa, ou no momento em que a pessoa precisa fazer a tarefa.
Um aviso honesto: a palavra é mais de mercado do que de pesquisa. Há pouca pesquisa rigorosa sobre “microlearning” com esse nome. O que existe, e é sólido, é pesquisa sobre os mecanismos que o conteúdo curto pode usar. É por eles que dá para decidir.
Por que o conteúdo curto pode ajudar?
Por três mecanismos com boa base de pesquisa:
- Menos carga de uma vez. John Sweller mostrou em 1988 que a memória de trabalho tem limite, e que tarefas que exigem processar muita coisa ao mesmo tempo prejudicam o aprendizado. Unidades menores respeitam esse limite.
- Ritmo de quem aprende. Richard Mayer e Paul Chandler mostraram em 2001 que uma explicação dividida em partes, que a pessoa avança no próprio ritmo, é mais bem compreendida do que a mesma explicação corrida.
- Espaçamento e pergunta. O conteúdo curto é o formato natural para revisar o que foi aprendido ao longo de semanas. E responder perguntas sobre o conteúdo retém mais do que reler, como mostraram Henry Roediger e Jeffrey Karpicke em 2006.
Repare que o terceiro é o mais forte, e ele não depende do tamanho. Depende de voltar ao conteúdo, espaçado no tempo, tentando lembrar.
Quando o conteúdo curto atrapalha?
Quando o assunto precisa de contexto, ligação entre partes e prática longa. Três sinais de que picotar vai piorar:
- O conteúdo é um raciocínio, não uma lista. Negociação, análise de crédito, diagnóstico de defeito. Dividir em pílulas soltas tira a ligação entre as etapas, que é justamente o que se quer ensinar.
- A habilidade precisa de prática com retorno. Conduzir uma conversa difícil não cabe em três minutos de vídeo. Precisa de simulação, erro e conversa.
- Não há sequência. Cento e vinte pílulas sem ordem são um catálogo, não um programa. A pessoa não sabe por onde começar nem quando terminou.
Como decidir o que vira conteúdo curto?
| Situação | Formato curto funciona? | Por quê |
|---|---|---|
| Revisar o que foi visto no curso | Sim | Prática espaçada e pergunta |
| Apoiar uma tarefa pouco frequente | Sim | Consulta no momento de fazer |
| Comunicar uma mudança de procedimento | Sim | Um objetivo, uma mensagem |
| Ensinar uma habilidade complexa do zero | Não, sozinho | Precisa de contexto e prática |
| Mudar comportamento de liderança | Não, sozinho | Precisa de prática e conversa |
| Integrar quem acabou de chegar | Em parte | Complementa, não substitui |
O melhor uso costuma ser a combinação: um curso ou workshop para aprender, e o conteúdo curto nas semanas seguintes para lembrar e aplicar. É o desenho do plano de reforço pós-treinamento.
Como fazer uma pílula que ensina?
- Um objetivo só, dito no começo.
- Uma pergunta, e não só uma exposição. A pessoa tenta responder antes de ver a resposta.
- Um exemplo do trabalho real, e não um genérico.
- Um lugar na sequência. Ela pertence a uma trilha ou a um plano de reforço, com data para aparecer.
Microlearning substitui o curso?
Na maior parte das vezes, não. Ele encurta o curso, porque tira dele o que era só informação, e prolonga o aprendizado, porque leva a revisão para as semanas seguintes. O que ele não faz é ensinar sozinho uma habilidade que precisa de prática.
O guia de educação corporativa mostra onde cada formato entra no programa. E produzir vídeo, e-learning e pílulas a partir do que o conteúdo pede é o que fazemos em e-learning, SCORM e vídeo.