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Sustentação e reforço

Qual é o papel do gestor depois do treinamento?

Miriam Damasceno, Diretora Executiva

Em poucas palavras

Depois do treinamento, o papel do gestor é criar a ocasião e a cobrança para o conteúdo ser usado: saber o que o time aprendeu, perguntar sobre isso na rotina, dar espaço para testar e reconhecer quando a mudança aparece. A pesquisa coloca o apoio da chefia entre os fatores que mais pesam para o treinamento virar prática.

A pessoa volta do treinamento com duas ou três ideias novas e disposição para testar. Na segunda-feira, o gestor pergunta como foi, ouve um “foi bom” e passa para a pauta da semana. Ninguém volta ao assunto. Em um mês, a disposição acabou.

Não é má vontade do gestor. Em geral, ele não sabe o que foi ensinado, não sabe o que perguntar e ninguém disse a ele que isso era parte do trabalho. Mas é nesse ponto que o treinamento vira prática ou vira lembrança.

Por que o gestor pesa tanto no resultado do treinamento?

Porque é ele quem decide o que acontece na rotina. Brian Blume e colegas reuniram 89 estudos sobre transferência de treinamento em 2010, e o apoio do ambiente de trabalho, chefia e colegas incluídos, apareceu entre os fatores com relação mais forte com o uso do que foi aprendido. Lisa Burke e Holly Hutchins chegaram a uma conclusão parecida numa revisão de 2007: o apoio do supervisor está entre as variáveis mais estudadas e mais consistentes da literatura.

Nathalie Govaerts e Filip Dochy foram além em 2014 e separaram o que “apoio do gestor” quer dizer na prática. O que os estudos mostram como útil é concreto: discutir o treinamento com a pessoa antes e depois, dar oportunidade de aplicar, acompanhar e dar retorno, e reconhecer quando a mudança aparece. Não é entusiasmo genérico. É comportamento.

O que o gestor deve fazer antes do treinamento?

Uma conversa de dez minutos, antes da pessoa ir. Dois assuntos:

  • Por que ela vai. Qual situação do trabalho o curso deveria ajudar a resolver.
  • O que se espera na volta. Um comportamento, dito de forma que os dois vão reconhecer quando acontecer.

No estudo de Alan Saks e Monica Belcourt com 150 organizações, as atividades feitas no ambiente de trabalho antes e depois do curso tiveram relação mais forte com a aplicação do que as feitas durante ele. A conversa de antes é a mais barata de todas.

E depois que a pessoa volta?

O trabalho do gestor cabe em quatro gestos, espalhados pelas semanas seguintes:

QuandoO que o gestor fazTempo
Primeira semanaPergunta o que a pessoa vai testar primeiro e quando10 minutos
Semanas 2 e 3Dá a ocasião: uma tarefa, um cliente, um caso em que o conteúdo cabeDentro da rotina
Semana 4Pergunta o que funcionou, o que travou e o que muda15 minutos
Sempre que aparecerReconhece a mudança em público ou em particular1 minuto

A pergunta do meio é a mais importante e a mais esquecida. Treinamento sem ocasião de uso vira teoria, e quem distribui as ocasiões no trabalho é o gestor.

O gestor precisa fazer o curso?

Não precisa fazer o curso inteiro, mas precisa saber o essencial dele. Um resumo de uma página com o que foi ensinado, os erros mais comuns e três perguntas prontas para usar na rotina resolve a maior parte do problema. É o que chamamos de kit do gestor.

Quando o conteúdo é sobre liderança, a situação muda: o gestor é o público, e o apoio vem do nível acima dele. O raciocínio é o mesmo, só sobe um degrau.

O que atrapalha o gestor a cumprir esse papel?

Três obstáculos aparecem quase sempre, e nenhum se resolve pedindo mais empenho:

  • Ele não sabe o que foi ensinado. Resolve com o resumo e as perguntas prontas.
  • Ele não sabe que isso é esperado dele. Resolve com o RH dizendo, antes da turma, o que se espera do gestor em cada fase.
  • Ele não tem tempo. Resolve encaixando as conversas em rituais que já existem, como a reunião de turno ou o um a um, em vez de criar reunião nova. Os rituais de acompanhamento partem dessa lógica.

Como saber se os gestores estão fazendo a parte deles?

Perguntando para quem foi treinado. Trinta dias depois do curso, duas perguntas bastam: “Seu gestor conversou com você sobre o treinamento?” e “Você teve oportunidade de aplicar o que aprendeu?”. Se a resposta for não na maioria dos casos, o problema do programa não está na sala.

Essas perguntas entram no plano de reforço pós-treinamento, junto com os outros contatos das semanas depois do curso. E o quadro completo do que faz o aprendizado durar está no guia por que o treinamento some em 30 dias.

Como a Criação resolve isso · Sustentação e reforço

Seus gestores sabem o que fazer quando o time volta do curso?

O kit do gestor dá a ele o resumo do conteúdo, as perguntas prontas e o que observar, sem exigir que faça o treinamento inteiro.

Kit do gestor: O que a liderança precisa dizer e cobrar, em linguagem de rotina.

Resposta em até um dia útil.