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Sustentação e reforço

O que é sustentação de aprendizagem e por que ela custa menos que retreinar

Miriam Damasceno, Diretora Executiva

Em poucas palavras

Sustentação de aprendizagem é o conjunto de ações que acontecem depois do treinamento para o conteúdo virar comportamento no trabalho: revisões espaçadas, conversa com o gestor, momentos de prática e medição de aplicação. Custa menos que retreinar porque aproveita o que já foi ensinado, em vez de pagar de novo o curso inteiro.

Quando um treinamento não dá resultado, a reação mais comum é marcar outro. Troca o fornecedor, troca o formato, às vezes troca só o nome, e a turma volta para a sala para ouvir de novo o que já tinha ouvido. Seis meses depois, o problema reaparece.

Na maior parte das vezes, o curso não era o problema. O que faltou foi o que deveria ter acontecido depois dele. É disso que trata a sustentação de aprendizagem.

O que é sustentação de aprendizagem?

É tudo o que acontece entre o fim do treinamento e o momento em que o comportamento aparece sozinho na rotina. O curso ensina; a sustentação faz o ensinado ser usado até virar hábito.

Timothy Baldwin e Kevin Ford organizaram essa ideia em 1988, numa revisão que virou referência sobre transferência de treinamento. Para eles, o que foi aprendido só chega ao trabalho quando três coisas se encontram: quem aprendeu, como o treinamento foi desenhado e o ambiente de trabalho que recebe a pessoa de volta. O ambiente é justamente a parte que o curso não controla, e é onde a sustentação atua.

Na prática, ela tem quatro frentes:

FrenteO que fazExemplo
Reforço espaçadoTraz o conteúdo de volta em intervalosPergunta curta no celular uma semana depois
Apoio do gestorDá ao gestor o que perguntar e observarRoteiro de conversa de dez minutos
Momento de práticaCria a ocasião de usar o que foi aprendidoEncontro de começo de turno sobre um caso real
Medição de aplicaçãoVerifica se o comportamento mudouPergunta ao gestor 30 dias depois

Por que o conteúdo precisa de sustentação?

Porque a memória descarta o que não é usado, e rápido. Quando Jaap Murre e Joeri Dros repetiram em 2015 o experimento clássico de Hermann Ebbinghaus sobre esquecimento, a vantagem de já ter estudado uma lista caiu de 58% depois de 20 minutos para 4% depois de 31 dias. Conteúdo com sentido cai mais devagar que as sílabas do experimento, mas a curva tem o mesmo formato: forte nos primeiros dias.

E o que se perde da memória também se perde do trabalho. Numa pesquisa com profissionais de treinamento de 150 organizações, Alan Saks e Monica Belcourt chegaram a esta estimativa de quantos participantes aplicam o que aprenderam:

Participantes que aplicam o que aprenderam

Participantes que aplicam o que aprenderam: Logo depois, 62%; 6 meses, 44%; 1 ano, 34%Logo depois62%6 meses44%1 ano34%
Estimativa de profissionais de treinamento de 150 organizações.Dados de Saks e Belcourt (2006), Human Resource Management. Gráfico da Criação Ilimitada. Fonte

Um terço do que parecia aprendido na saída da sala some em seis meses. O mesmo estudo achou que as atividades feitas antes e depois do curso, no ambiente de trabalho, tinham relação mais forte com a aplicação do que as feitas durante ele. A análise completa está no texto sobre por que o treinamento some em 30 dias.

Por que sustentar custa menos que retreinar?

Porque retreinar paga de novo tudo o que já foi pago, e sustentar paga só o que falta. Olhe o que cada caminho envolve:

RetreinarSustentar
Horas da equipe fora do trabalhoO curso inteiro, de novoMinutos por semana, dentro da rotina
Produção de conteúdoNovo curso ou nova contrataçãoPeças curtas a partir do curso que já existe
Quem se envolveToda a turma e o instrutorParticipantes, gestor e quem dispara o reforço
O que resolveO esquecimento, até ele voltarO esquecimento e a falta de prática

O item mais caro de um treinamento corporativo raramente é o fornecedor: é a hora das pessoas paradas. Um reforço que leva cinco minutos e acontece no posto de trabalho custa uma fração disso. E há um ganho que o retreinamento não oferece: cada vez que a pessoa precisa lembrar de algo, ela lembra melhor da próxima vez.

Henry Roediger e Jeffrey Karpicke mostraram isso em 2006. Estudantes que leram um texto e depois fizeram testes de memória sobre ele lembraram mais, uma semana depois, do que estudantes que simplesmente leram o texto de novo. Reler, que é o que um retreinamento faz, parece eficiente e é menos eficiente do que ser perguntado.

Sustentação é a mesma coisa que reciclagem?

Não. Reciclagem é repetir o curso depois de um prazo, muitas vezes porque a norma exige. Sustentação começa no dia seguinte ao curso e acompanha a aplicação. Elas convivem: um treinamento obrigatório pode ter reciclagem anual e, entre uma e outra, reforço e acompanhamento para ele não virar só um certificado.

Quando retreinar ainda é a resposta certa?

Há três casos em que repetir o curso faz sentido:

  • O conteúdo mudou: norma nova, processo novo, sistema novo.
  • O público mudou: a maior parte da turma original saiu e entrou gente que nunca fez.
  • O curso era ruim: não ensinava o que a função pede, e a avaliação mostrou isso.

Fora desses casos, retreinar é pagar duas vezes pela mesma coisa e esperar um resultado diferente.

Por onde começar a sustentar um treinamento?

Pelo treinamento que já aconteceu e não deu resultado. Escolha um comportamento que deveria ter mudado, defina o que seria vê-lo acontecer e monte quatro semanas de contatos a partir dele. O passo a passo está no plano de reforço pós-treinamento, que dá para montar em uma semana.

É o trabalho da camada de sustentação e reforço: pegar o curso que a empresa já pagou e fazer ele render.

Como a Criação resolve isso · Sustentação e reforço

O próximo treinamento já tem o depois desenhado?

A gente monta a camada de sustentação do seu programa, com reforço, apoio ao gestor e medição, aproveitando o curso que você já tem.

Sustentação e reforço: O que mantém o comportamento de pé depois que o treinamento acaba.

Resposta em até um dia útil.